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(Poema) Poema Pessoal e Bastante Transmissível

 Por Lúcio Lima, poeta maldito que atormenta Alfredo Soares-Ferreira


Poema Pessoal e Bastante Trasmissível - Para a ciência e técnica de uma país sem amos

Oh trevo da sorte que floresce
enquanto lá fora a fome cresce 
Fortuna dos audazes aflitos
que já nem conseguem soltar gritos. 
Acorda num poema de Camões
e anda por aí ver passar os aviões.
Deixa-nos sonhar com o sol de Abril
e os fantasmas das águas mil
Solta em raiva o que já não sentes
panelas e tachos dos santos dementes.
Sai do armário e assume o conflito 
esquece tudo o que te havia dito
Na morgue de todas as flores
reina a calma doce dos favores
Pensas que podes saltar a fogueira
antes de accionar a mangueira?

O fogo posto no submarino da marinha 
e o comboio a partir da cozinha
A rota traçada é a das marés
e tu não queres molhar os pés...
Aqui não mais vais poder ficar
é tão cedo que é tarde para conversar
e é tão tarde que é cedo para conversar.

Sonhei com um toque de magia 
mas o melhor é ficar para outro dia 
Há sapos aqui e em todo o lado
e cada homem é um pau-mandado 
Há um lado errado do muro
e a mulher esconde-se no escuro 
Este não é o país onde estamos
a sonhar com o PAÍS SEM AMOS

11 de abril de 2025
Lúcio Lima


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