Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta [AUTOR] Outros

(Nota Prévia) Pensar sem fronteiras

Este texto é uma nota prévia à tertúlia que se realizará no dia 15 de novembro de 2025, na Associação de Inquilinos e Condóminos do Norte de Portugal (+info) . Pensar sem fronteiras Presumo que o meu posicionamento não esteja alinhado com a maioria dos integrantes da comunidade “País sem Amos”, particularmente em matéria de política de identidade e migrações. Por esse motivo, pareceu-me muito bem participar numa conversa convosco que se propõe refletir sobre alguns dos temas mais impactantes do nosso futuro coletivo. No espírito de Stuart Mill, acredito sinceramente que nenhuma ideia deve ser silenciada; que no confronto de posições antagónicas, mais do que converter o outro, podemos testar a validade dos nossos argumentos e a força das nossas convicções; que o único caminho possível para o progresso real é cruzar a palavra e conservar a paz social. Defendo uma sociedade aberta e tolerante, sem abdicar da regulação dos fluxos migratórios e da afirmação do primado da lei perante prática...

(Artigo) O Tempo de Nos Pertencermos

Por Inês Pereira Silva , em blog O meu trabalho é apoiar as pessoas a perceberem que a maior prisão não tem grades, não tem muros e, muitas vezes, nem sequer tem um carcereiro visível. O que nos prende são as ideias que aceitamos sem questionar, os medos que nos passam de geração em geração como se fossem heranças de família, as expectativas que nos dizem como devemos viver para sermos aceites.   Falar de um tempo sem "amos" não é sobre uma revolução barulhenta nas ruas (embora não haja nada de errado com uma boa revolução, desde que bem organizada). É sobre algo mais subtil, mas infinitamente mais poderoso: libertarmo-nos internamente. Porque não há mudança coletiva sem uma transformação individual.   A história prova-o vezes sem conta. Sempre que uma sociedade se empoderou, foi porque os seus indivíduos se permitiram, primeiro, questionar o que lhes diziam ser inevitável. A queda dos impérios, o fim das monarquias absolutas, a conquista de direitos civis — tudo com...

(Fascículo) Precisamos de Falar sobre Presidenciais (2 de 5)

Por Diogo Martins, em  "Fratura Exposta" (substack) Índice As origens das muitas faces da direita política A sua manifestação neste ato eleitoral Marques Mendes Gouveia e Melo André Ventura Mariana Leitão Nota final Compreender as fundações do mosaico da direita nesta eleição presidencial (Fascículo Segundo) As origens das muitas faces da direita política Quando, a partir da esquerda, nos propomos a refletir sobre as fundações da hegemonia da direita num determinado momento político, é fatal desembocarmos no paradoxo que atormenta o nosso espaço desde que, no final do século XIX, a maioria das democracias liberais adotou o sufrágio universal: “como pode o campo político da direita, cuja existência se justifica pela defesa de uma minoria proprietária, se mostrar capaz de obter a maioria eleitoral?” A resposta a esta questão assenta sempre na interação entre dispositivos sociais de realinhamento de classe e da existência de meios que facilitam a sua ...

(Artigo) UMA TERRA SEM AMOS

  Por José Maria Silva, em Blog A democracia não é um fim em si mesmo, mas um caminho para uma verdadeira libertação das amarras e das tutelas, que a democracia burguesa nos impõe e condiciona todos os dias, por palavras, atos e ações. Este caminho está a esgotar-se, como outros anteriores se esgotaram e projetaram novos caminhos, que a humanidade percorreu, transformando os cercos, muros e barreiras, em pontes de encontros, cooperação e fraternidade entre povos e nações.  Nesta fase da democracia que atravessamos, estamos ainda condicionados, cercados e tutelados, por senhores, clientelas partidárias e interesses instalados, que nos privam da liberdade efetiva e de uma democracia solidária. Continuamos a viver dependentes de bancos e banqueiros e de empresários, que nos exploram sem escrúpulos.  Não há democracia a sério, como diz o poeta, enquanto o povo não controlar e ter nas suas mãos os meios de produção e o lucro do seu trabalho ser aplicado para o bem-estar de tod...

(Fascículo) Precisamos de Falar sobre Presidenciais (1 de 5)

Por Diogo Martins, em "Fratura Exposta" (substack) Apresentação e tese (Fascículo Primeiro) (Este é o primeiro de uma série de quatro textos sobre o tema das presidenciais. Trata-se, pois, de uma reflexão política por fascículos. Reparei recentemente, com mágoa, que a palavra “fascículo” está em vias de extinção na língua portuguesa. Como humano da safra do início da década de 90, posso mesmo ser o representante da última geração que sabe ao que a palavra se refere. Para os mais tenrinhos, a palavra fascículo era reservada para as coleções periodicamente vendidas em papelarias, com frequência acondicionados em vistosos embrulhos de cartão muito maiores do que o objeto que tinham por objetivo embrulhar e podiam abranger os perfis mais variados, desde um livro, até a uma peça de faqueiro, passando por uma peça de réplica de carro de coleção. Com efeito, a minha ambição para esta sequência de textos é que aguardem a próxima parte com a mesma expetativa e aura mística com que uma...